Depois de muitos anos um sonho adormecido finalmente despertou e virou realidade. Um fruto que não o vi como semente, mas já o conheci crescido no ponto de ser colhido mas ninguém se habilitava a fazer isso, pois sabiam que teriam que cuida-lo para que amadurecesse da melhor forma possível. Resolvi colhe-lo e acolhe-lo. Um filho que nasceu para mim aos 12 anos e que já o amo para vida toda. Um ser frágil e forte ao mesmo tempo, frágil pelo seu desamparo e falta de estrutura familiar e forte pela experiência de vida apesar da pouca idade. Triste pela desesperança que a vida lhe causou e alegre pela naturalidade de uma criança.
Difícil de imaginar o que se passa na cabeça de menino que aos desde os 08 anos teve que cuidar de 07 irmãos, aos 10 saiu de casa, aos 11 foi parar num abrigo e aos 12 descobre que sua mãe não o quer mais e seu pai é indiferente. Fica sem família a mercê da bondade alheia. Esse é pequeno e duro histórico que tenho dele. Ai vem os questionamentos: Como julgar o seu comportamento? Sua revolta? Seu desequilíbrio emocional? Seu desinteresse pelos estudos e pelas novas amizades? A ausência de autoestima? A carência afetiva? Enfim todos os problemas causados pela vida à uma criança de apenas 12 anos.
Bom, a verdade é que para nós que tomamos essa decisão de acolher uma criança dessas como filho não importa se temos todas as respostas e sim termos a capacidade de amarmos incondicionalmente. De superarmos as dificuldades, de vivenciarmos cada momento juntos e de tirarmos várias lições que esse relacionamento irá nos gerar. Fácil eu sabia que não ia ser, mas ninguém é capaz de se preparar 100% para viver uma situação dessas. Eu diria que é um desafio a cada dia, um trabalho minucioso e delicado e que requer muito preparo psicológico e temperamental. Não estou aqui desanimando ninguém de adotar tardiamente, apenas colocando os percalços que a decisão trará. Agora todos esses problemas somem momentaneamente quando ouço ao telefone, em casa ou na rua as frases: “ Oi Pai”; “Te amo Pai”; ou então quando ele atende ao telefone e diz: “Fala aqui com o meu Pai”. Parece coisa boba, mas para quem sempre sonhou em ter um filho ouvir isso é melhor sensação do mundo. Um abraço apertado, um beijo forte, um olhar carinhoso e um sorriso de felicidade são os alimentos para a alma suportar todos os problemas que iremos enfrentar.
Sou Pai, e o meu filho é tudo pra mim e é isso que importa!
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