terça-feira, 11 de junho de 2013

Divulgação e Incentivo à Adoção Tardia

Gostaria de enfatizar a importância de divulgarmos e dissiminarmos a prática da adoção tardia. Apesar de estarmos no século da informação esse assundo ainda não faz parte do nosso cotidiano, infelizmente. Precisamos mudar isso pois temos muitas crianças e adolescentes a espera de uma familia nos abrigos brasileiros e que devido ao pré-conceito, à falta de informação e à cultura brasileira poderão continuar a espera até que um dia acabe a esperança e eles são obrigados a irem para as ruas se equilibrarem na corda bamba da vida sem sequer terem sido treinados para isso.
Participei no sábado passado de uma gravação de um programa da TV MUNDI, uma televisão específica para a internet de um programa, apresentado pela nossa querida Dra. Silvana Moreira, voltado para o tema da adoção em geral. Achei hiper válido e adorei o convite para contar um pouco da minha história e para mostrar as dificuldades e alegrias que passamos a ter quando decidimos adotar um adolescente. É importante mostramos a realidade sem fantasias e a importância das pessoas que estão aguardando anciosos pelos seus filhos ampliarem o perfil desejado para abranger essas crianças. Abaixo o link da TV Mundi e algumas fotos da gravação.O programa deve ir ao ar daqui umas 3 semanas.

www.tvmundi.com.br

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ele chegou! Sou Pai!

Depois de muitos anos um sonho adormecido finalmente despertou e virou realidade. Um fruto que não o vi como semente, mas já o conheci crescido no ponto de ser colhido mas ninguém se habilitava a fazer isso, pois sabiam que teriam que cuida-lo para que amadurecesse da melhor forma possível. Resolvi colhe-lo e acolhe-lo. Um filho que nasceu para mim aos 12 anos e que já o amo para vida toda. Um ser frágil e forte ao mesmo tempo, frágil pelo seu desamparo e falta de estrutura familiar e forte pela experiência de vida apesar da pouca idade. Triste pela desesperança que a vida lhe causou e alegre pela naturalidade de uma criança.
Difícil de imaginar o que se passa na cabeça de menino que aos desde os 08 anos teve que cuidar de 07 irmãos, aos 10 saiu de casa, aos 11 foi parar num abrigo e aos 12 descobre que sua mãe não o quer mais e seu pai é indiferente. Fica sem família a mercê da bondade alheia. Esse é pequeno e duro histórico que tenho dele. Ai vem os questionamentos: Como julgar o seu comportamento? Sua revolta? Seu desequilíbrio emocional? Seu desinteresse pelos estudos e pelas novas amizades? A ausência de autoestima? A carência afetiva? Enfim todos os problemas causados pela vida à uma criança de apenas 12 anos.
Bom, a verdade é que para nós que tomamos essa decisão de acolher uma criança dessas como filho não importa se temos todas as respostas e sim termos a capacidade de amarmos incondicionalmente. De superarmos as dificuldades, de vivenciarmos cada momento juntos e de tirarmos várias lições que esse relacionamento irá nos gerar. Fácil eu sabia que não ia ser, mas ninguém é capaz de se preparar 100% para viver uma situação dessas. Eu diria que é um desafio a cada dia, um trabalho minucioso e delicado e que requer muito preparo psicológico e temperamental. Não estou aqui desanimando ninguém de adotar tardiamente, apenas colocando os percalços que a decisão trará. Agora todos esses problemas somem momentaneamente quando ouço ao telefone, em casa ou na rua as frases: “ Oi Pai”; “Te amo Pai”; ou então quando ele atende ao telefone e diz: “Fala aqui com o meu Pai”. Parece coisa boba, mas para quem sempre sonhou em ter um filho ouvir isso é melhor sensação do mundo. Um abraço apertado, um beijo forte, um olhar carinhoso e um sorriso de felicidade são os alimentos para a alma suportar todos os problemas que iremos enfrentar.
Sou Pai, e o meu filho é tudo pra mim e é isso que importa!